Aquele jeitinho delicado, cachinhos no cabelo, e a inseparável companhia de um colorido pirulito gigante, daqueles em espiral, deram-lhe o apelido de Lollipop. Ela seguia pela calçada alheia a tudo, dava uma ou outra lambida naquele pirulito e mantinha o foco na telinha do celular que carregava e operava com destreza usando apenas a outra mão. Não via o mundo ao redor exceto na hora de atravessar as ruas.

Ele já tinha visto ela antes, era certo que morava ali pela vizinhança… Ficou acompanhando-a com os olhos como uma ave de rapina segue o trajeto da presa, até que surja a oportunidade do ataque. Jogou sobre o balcão do bar uma nota amassada em pagamento à cachaça que tomou num gole só e saiu, sem esperar o troco. Queria ver onde aquela garota morava.
Durante o caminho a oportunidade esperada por sua mente doentia surgiu. Aqui neste mundo parece até que o destino favorece os maus… A garota entrou em um beco que servia para descarte de lixo, atalho e “boca de fumo”… Os “nóias” só usariam ali para isso mais tarde. Ele apressou o passo e a alcançou antes que chegasse à metade do beco. Ela seguia distraída com seu joguinho e seu pirulito, sem notar a aproximação do estranho.

Foi bem rápido. Ele a pegou por trás tapando com agilidade sua boca, o braço forte envolveu a cintura da garota e a jogou sobre sacos de lixo. O celular caiu ali perto e o pirulito se estilhaçou em inúmeros pedaços multicoloridos no chão de cimento. As mãos grossas começaram a explorar a pele macia sob o tecido. Ela tentou protestar, com voz chorosa:
-Não… Você não pode… Por fav… – Uma bofetada no rosto a explicou quem podia o quê naquele lugar.
Com o peso do corpo sobre o dela, ele pode deixar uma mão livre para desabotoar a calça e iniciar sua perversão. Lollipop apenas relaxou os músculos, não podia com a força daquele homem grande…

Enquanto ele abusava dela, os murmúrios da menina o excitavam mais. Ele nem percebeu que mudavam, até sentir a boca dela colada na sua. A língua doce de Lollipop invadiu e explorou a boca dele, mas foi bem fundo. Então ele sentiu a estocada firme em seu flanco. – “A vagabunda está armada!” – pensou. Rapidamente, outra estocada, no lado oposto de seu corpo, sem que ele pudesse gritar pela dor por causa dos pedipalpos que mantinham sua cabeça presa à garota, cuja língua agora invadia sua garganta. Algo o levantou no ar. Da doce garota que ele atacou saiam longas patas articuladas com extremidades pontiagudas. Ainda vivo, o estuprador pode ver com horror os olhos brancos que o fitavam, enquanto outro par de patas se moveram por baixo de seu corpo e deceparam o que havia entre suas pernas, com precisão cirúrgica. A língua de Lollipop avançou por dentro do corpo destroçando órgãos até sair pelo lado oposto, depois retornou à boca da criatura largando um cadáver oco no chão do beco, junto aos sacos de lixo.

Ela se recompôs, voltando à forma humana após recolher as patas aracnídeas que saiam por aberturas estratégicas na roupa. Procurou o celular e saiu do beco jogando distraidamente, até encontrar um estranho na rua:

  • Moço, sabe dizer onde posso comprar um daqueles pirulitos grandes, beeem coloridos? O meu caiu no chão e quebrou…
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