pedido de amizade

 

Você já recebeu um “inocente” convite de alguém desconhecido na rede social? Provavelmente sim… Mas qual o real objetivo de um desconhecido que lhe procura na rede?

Eu lhes apresento Eliane, uma jovem curiosa e romântica… e seu amigo virtual. Já adianto que há uma certa dose de erotismo no conto…

23:37 – Sexta Feira

Eliane olha sem piscar para o vídeo na tela. Através dos fones, ouve sussurros e gemidos lascivos que a hipnotizam. Seu corpo treme levemente enquanto uma das mãos desliza pelo seu ventre até alcançar e invadir os recantos mais íntimos de sua intimidade.

Como ultimamente fazia, aproveitou que os pais dormiam e ligou o notebook no quarto escuro, para conversar com seu novo amigo pela rede social. Albarus era o nome que ele usava; ela achava que não devia ser esse seu nome real e sim apenas um apelido exótico, mas ele insistia que sim.

Voltemos um pouco no tempo para saber como começou essa “amizade”…

Dias atrás o pequeno ícone indicando que alguém queria sua amizade lhe despertou atenção. Passou sobre ele o ponteiro do mouse e viu no perfil a foto de um jovem louro, sorriso perfeito e olhar penetrante, com o nome estranho. Nenhum amigo em comum na sua rede. Ignorou, mas não bloqueou o pedido.

Dois dias depois uma mensagem: “Não quer ser minha amiga?” – Ela respondeu: “Quem é vc?”.
Minutos depois ele retruca: “Alguém que te admira e quer te conhecer…” – ela sorriu ao ler e decidiu aceitar o tal Albarus. Ao menos a cantada do rapaz era galante e ela, romântica, gostava disso.

Então começaram a trocar mensagens. Ele pediu que ela o procurasse bem tarde na rede, era o melhor horário para conversarem. Durante o dia todo ele permanecia off-line.

Na primeira noite falaram amenidades. Na segunda ele insinuou algo mais picante… ela corou ao ler e desligou o notebook. Mas as palavras dele, descrevendo o que faria se estivesse com ela, o modo como acariciaria seus seios e a beijaria, não saiam da sua cabeça de moça inocente e virgem.

Na terceira noite ele não apareceu, o que incomodou Eliane. Então ela sonhou o primeiro sonho erótico de sua vida. Albarus aparecia ao lado de sua cama e se reclinava sobre ela, que dormia. Eliane via a cena como se fosse uma espectadora, coisa comum em sonhos… mas sentiu a mão firme dele sobre seu corpo. Sentiu ele afastar o lençol e a alça de sua camisola. Sentiu o calor da boca tocando seu seio e arfou, irrequieta, enquanto as mãos dele percorriam seu corpo todo. Todo mesmo! Era algo inexplicável aquele toque, aquele ardor entre as pernas, algo ruim, incômodo, mas ao mesmo tempo bom. Sentiu o peso dele ao deitar-se já nu ao seu lado e cobri-la com seu corpo viril. Arrepiou-se com os beijos no pescoço, no lóbulo da orelha… então acordou sobressaltada, quase num pulo. Seu corpo estava encharcado, de suor e de… bem, vocês sabem… ela olhou o mostrador brilhante do despertador e conferiu: 03:21 da madrugada. Ofegante, ligou o notebook e esperou impaciente a máquina inicializar, conectar e abrir o navegador. Ele continuava off-line. – “Que loucura!” – Ela pensou. – “Ele deve estar dormindo essa hora!…Sou uma louca.” – E foi dormir.

Acordou assustada com o som do despertador! Dormira profundamente depois do sonho, mas não teve um sono repousante, se sentia exausta. O dia passou lentamente, na rotina comum. Escola, afazeres da casa com a mãe, jantar com os pais mudos e o irmão pentelho, novela e finalmente a hora de todos dormirem. Ao perceber que a casa estava num total silêncio ela foi verificar se encontrava Albarus na rede. Ele estava lá. Novamente a conversa começou amena, foi se estendendo e ele mais uma vez insinuou desejo. Mas nessa noite, ela não fugiu. Conversaram bastante, as mensagens ficando mais e mais ousadas e ela ria, sem saber como responder. Nessa noite Albarus lhe enviou o primeiro vídeo. Algo sensual, um quarto escuro parecido com o seu, a cortina leve esvoaçante e as silhuetas em movimento na cama. Rapidamente ela colocou os fones de ouvido quando começaram a ficar mais altos os sons de gemidos, temendo que a mãe acordasse e viesse verificar o que era. Os sons cresceram e se tornaram frases obscenas, gritos despudorados de prazer e gozo. Ela ficou chocada, mas também fascinada! Albarus se despediu e Eliane demorou a conciliar o sono, impressionada com o vídeo erótico.

Assistir os vídeos enviados por Albarus fez Eliane entrar num círculo vicioso, onde as cenas povoavam os sonhos que tinha com ele e inevitavelmente a faziam acordar exaurida. Com medo de ser flagrada, ela apagava as mensagens antes de se deitar, mas tudo estava gravado em sua mente.
Passava o dia desatenta, imaginando Albarus em seu quarto. O rendimento na escola caiu drasticamente, a mãe constantemente lhe chamava a atenção nas tarefas de casa, ela ficou arredia e impaciente.

-Que acontece com você, menina? – A mãe disse um dia – Não está dormindo direito? Veja essas olheiras, essa palidez! Acho que preciso te levar ao médico!

-Não é nada, mãe… Só tô cansada, são as provas… – disfarçou Eliane. Mas o fato é que noite após noite o vício continuava a dominá-la. Não tinha coragem de dizer ao amigo virtual o que sentia, mas ele parecia saber e se divertir com isso. Ela o desejava, queria estar fisicamente com ele e se entregar… passou a dormir nua e inflamada de desejo…

23:42 – Sexta Feira

Eliane olha sem piscar para o vídeo na tela. Através dos fones, ouve sussurros e gemidos lascivos que a hipnotizam. Seu corpo treme levemente enquanto uma das mãos desliza pelo seu ventre até alcançar e invadir os recantos mais íntimos de sua intimidade. Ela não sabia como explicar, mas a presença de Albarus era palpável… A outra mão dele apertava seus seios, sentia sua respiração e o calor de seu corpo colado ao dela. Eliane rolou na cama emaranhada aos lençóis e derrubou o notebook, sem se preocupar com o barulho ou com danos no aparelho. Sentia Albarus beijar-lhe e apertá-la contra ele, sentia seu sexo pressionado ao dela, tentando uma penetração. Quando isso ocorreu, sentiu como se um vergalhão de ferro incandescente lhe invadisse profundamente, dolorosamente, mas não importava. Estava consumida pelo desejo e queria aquilo com todas as suas forças, com toda sua alma!

Os movimentos de Albarus ficaram mais intensos e incômodos, até que de repente ele saiu dela de a virou de bruços, voltando a penetrá-la violentamente. Ela não reagia, apenas cedia à brutalidade do parceiro, cada vez mais feroz! Até que, num momento de lucidez, abriu os olhos e olhou para ele, que com a mão lhe tapou a boca para impedir um grito…

O que estava sobre ela não era mais o rapaz bonito, louro e de sorriso encantador. Era uma criatura de pele áspera, escamosa e escura, com dentes retorcidos e projetados duma boca que ria com escárnio para ela, de onde pendia uma língua bifurcada de réptil e uma baba viscosa que caia sobre seu rosto e seios. Enormes asas com garras nas extremidades a cobriam. Eliane se debatia inutilmente, agora sentindo um cheiro ruim vindo da criatura. Então sentiu algo gelado lhe invadir por dentro. Lágrimas corriam pelo rosto desesperado da jovem enquanto o demônio a possuía de forma agora aviltante, até que tudo escureceu.

A mãe batia nervosa na porta do quarto chamando por Eliane e ouvindo o som do despertador que não parava de tocar. O pai veio ver o que acontecia.

-Ela não responde e não acorda, Osvaldo! E agora deu para dormir com essa maldita porta trancada, vê se pode!

O pai não titubeou e com o ombro investiu sobre a porta. Na segunda tentativa, um estalo e a região da fechadura cedeu. Mais um impacto e a porta se escancarou. Na cama encontraram a moça nua, o corpo coberto de sangue, os cabelos revoltos sobre o colchão e uma expressão de agonia no rosto lívido e sem vida.

Incubus

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