Minha esposa tem sonhos ótimos para usar em contos de terror! Este foi baseado num sonho dela, que me contou meses atrás, onde ela era uma aluna de um colégio interno…

colegio interno

As meninas respiraram aliviadas ao bater o sinal indicando o fim da aula da Sra. Rizoleta, a sisuda e temida professora de História. Todas detestavam as aulas dela. Sorridente, Cássia guardou o livro na mochila e se apressou para alcançar Lívia e Luciana, suas melhores amigas, que saíram primeiro da classe. As duas meninas pareciam irmãs, ainda mais trajando o uniforme obrigatório do tradicional internato misto Cruz de Malta: camisa branca, gravata verde oliva, uma comportada saia plissada da mesma cor, meias três quartos que as meninas achavam ridículas e um sapato baixo preto.

Cássia encontrou as amigas cochichando, sentadas num dos inúmeros bancos de cimento do pátio, aproveitando o dia ensolarado.

-Que foi? Qual a novidade? – Perguntou.

Luciana fez sinal para que Cássia sentasse junto delas e explicou:

-Você sabia que temos um grupo de vampiros aqui no C.M.? Depois que eles chegaram aqui já sumiram uns seis alunos. O diretor diz que pediram transferência, mas corre o boato que desapareceram nos dormitórios…

-Ficaram loucas? – Cássia riu gostosamente – Como podem acreditar numa tolice dessas?

-É sério! – Replicou Lívia – Reparou que quatro dos meninos nunca aparecem nas aulas da manhã? Só vemos eles nas atividades noturnas ou na quadra, mesmo assim só de noite também… São eles os vampiros.

Cássia balançou a cabeça e riu novamente.

-Que mentira! Acham mesmo que o C.M. ia permitir que alguém não frequentasse as aulas? Isso não faz sent… – Cássia interrompeu o que dizia e todas olharam para o céu, que começou a escurecer repentinamente. Em instantes o dia ficou quase tão escuro como o início da noite.

-Um eclipse! – Exclamou Lívia.

-Olha lá, meninas! Seus “vampiros” estão vindo aí… – disse Cássia apontando para a escadaria do alojamento masculino, onde desciam quatro rapazes. Um deles parou ao lado de uma garota que Cássia não conhecia e a agarrou, enquanto os outros se espalharam pelo pátio. A confusão começou com o grito da primeira garota, e Cássia viu espantada que o rapaz estava abraçado com a moça e parecia dar-lhe um beijo, mas o braço dela pendia para o lado e algo manchava a manga da camisa branca do uniforme. Era sangue!

Ela e as amigas ficaram juntas e um pandemônio se instalara no amplo espaço aberto! Pessoas corriam para todos os lados e os quatro rapazes largavam uma vítima e rapidamente agarravam outra, que ficavam caídas no chão banhadas em sangue. Não apenas garotas, mas outros rapazes também eram mortos rapidamente pelos quatro vampiros!

Apavorada Cássia percebeu que um deles, o único moreno do grupo, cobiçado pelas meninas por causa de seus olhos verdes, acabara de quebrar o pescoço de um rapaz e a encarava, com os olhos emitindo um faiscante brilho alaranjado, a boca e queixo sujos de sangue! Ele atirou o corpo do pobre rapaz para o lado e caminhou sorrindo cinicamente na direção de Cássia e suas amigas, que se agarraram a ela e gritavam desesperadas. Cássia não conseguia tirar os olhos da imagem aterrorizante do vampiro que lhe exibia as presas enquanto se aproximava delas.
Quando Cássia achava que ela e suas amigas estavam perdidas, os primeiros raios de sol iluminaram parte do pátio, o que fez o vampiro moreno parar a poucos metros delas. O eclipse estava terminando e lentamente o céu clareava. Por sorte Cássia e as amigas estava na parte já iluminada do pátio.

De repente outra moça atravessou correndo o espaço entre o vampiro e Cássia, sendo agarrada por ele. Num impulso instintivo, Cássia pegou a mão da garota e a puxou para a parte iluminada onde estava, as amigas ajudaram e o braço do vampiro foi atingido pela luz. Imediatamente ele soltou o outro braço da garota e emitiu um grito de dor, se afastando para a sombra com o braço fumegando como se tivesse sido atingido por um lança-chamas!

Os quatro vampiros conseguiram se abrigar na parte coberta onde ficava a lanchonete, mas a confusão não terminara. Os alunos sobreviventes tentavam socorrer os amigos e muitos estavam mortos, vários corpos estavam espalhados pelo pátio. Só então Cássia observou que não apareceram seguranças, professores, nem mesmo o próprio Diretor veio ver o que aconteceu no intervalo! Um arrepio de medo percorreu sua espinha ao perceber que algo muito pior poderia estar acontecendo no Cruz de Malta…

Cássia olhou para onde os vampiros se esconderam no final do eclipse e não os viu mais. Inquieta, chamou Luciana.

-Precisamos ir até a Diretoria. Tem algo errado aqui.

Enquanto as outras ajudavam os alunos no pátio, as duas foram verificar a ala dos professores, onde ficava a Diretoria. No caminho, viram diversos copos de alunos e também de professores, incluindo o da Sra. Rizoleta. Para chegar lá, precisavam transpor um corredor completamente fechado, que separava a área externa da ala privativa do corpo docente.

Sem pensar, Cássia e Luciana dispararam pelo corredor para alcançar a porta da Diretoria, no extremo oposto.

-Tem mais duas aqui!

Quando ouviram o alerta, gritado de uma porta que foi aberta logo depois que passaram por ela, as duas sentiram a espinha gelar. Atrás delas estavam os quatro alunos vampiros, rindo assustadoramente. A porta da Diretoria se abriu e o corpulento Sr. Fernando, o Diretor do Cruz de Malta, apareceu. Com olhos vermelhos e um sorriso malvado, tinha a camisa que sempre fora impecavelmente branca empapada de sangue! Estavam perdidas!

Cássia deu um grito e acordou completamente coberta de suor, atirando para longe as cobertas. Já não era a estudante adolescente, mas uma mulher feita e tudo aquilo não passara de um pesadelo! Olhou no escuro o mostrador digital no criado ao lado da cama e viu os números vermelhos indicando 02:32 da madrugada. O coração ainda palpitava pelo susto vivenciado no pesadelo, mas já se sentia mais calma…

-Teve um pesadelo, querida? – Disse seu marido pousando a mão em seu ombro e erguendo o corpo na direção dela.

-Sim… Eu… – respondeu Cássia, se virando para o marido, que a encarava com olhos brilhantes avermelhados e a boca aberta, exibindo afiadas presas…

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