Neculai é o vampiro que vem fazendo um baita “estrago” no Face, criado pelo Adriano Siqueira. Ele autorizou a publicação desse crossover, onde Neculai atrai a ira dos personagens que compõem a Irmandade dos Vampiros e a CROSS. Vamos ver o que acontece quando Klaus e Neculai se encontram?

Neculai 1

-Alô. Pode falar, Marcos.
-Boa noite, Klaus. Tenho informações para você sobre o tal do Neculai.
-Ótimo, Marcos! O que tem prá mim?
-Me encontre na estação da Vila Olímpia e conversamos com calma. Vamos para o Bloody´s e podemos tomar algo lá.
-Perfeito, Marcos. Dentro de uns dez minutos chego lá.

Klaus acelerou seu Porsche negro pela marginal Pinheiros, chamando a atenção dos outros motoristas com o potente ronco do esportivo. Chegaria bem antes de Marcos à estação do metrô. O celular, encaixado num suporte preso ao console do carro, tocou.

-Humm… Número desconhecido… – pensou Klaus enquanto olhava a brilhante tela do aparelho. – Quem será?

-Alô. Quem fala?
Silêncio na linha.
-Vou desligar se você não se identificar.
-Neculai, meu caro… – respondeu a voz grave.

Klaus desviou, em alta velocidade, de um sedã à sua frente.

-Como conseguiu meu número?
-Isso não importa, vampiro. Só liguei para te dar um aviso: Quero você e os idiotas da tal Irmandade longe de mim, ou a vida eterna de vocês todos será bastante breve.
-Quem você pensa que é para ameaçar a mim ou à Irmandade, seu escroto?
-Continue investigando sobre mim e você logo saberá quem sou eu… – a ligação foi interrompida sem esperar outra resposta de Klaus.

Neculai estava causando muito barulho em São Paulo e, desde seu espetáculo sangrento na danceteria Casa Noturna, a Irmandade decidiu que isso deveria ter um fim. Ele estava perturbando a ordem secular mantida entre vampiros e humanos e colocando em risco a discrição da raça. Feria também o código de ética vampírica, atacando indiscriminadamente qualquer pessoa que cruzasse seu caminho. Precisavam pará-lo antes que outros vampiros fossem influenciados por seu mal comportamento e uma crise se instalasse. Marcos Gonçalves, um repórter investigativo famoso na cidade e parceiro da Irmandade, foi quem fez a cobertura da noite trágica na Casa Noturna, onde mais de vinte corpos foram encontrados totalmente drenados de sangue.

Marcos saiu da estação Vila Mariana e foi direto até o Porsche de Klaus, estacionado próximo da saída. Klaus o aguardava encostado no carro. Um “guarda-roupa” com mais de dois metros de altura, o alemão de ombros largos e cabelo loiro cortado ao estilo militar, vestido em um elegante terno Armani e encostado num Porsche 911 preto não era exatamente o que Marcos chamaria de “discreto” … Ao vê-lo, Klaus abriu um largo sorriso e estendeu a mão para cumprimentá-lo. Embarcaram no carro rumo ao Bloody´s, um requintado e badalado restaurante mantido pela Irmandade, local onde costumavam fazer suas reuniões com humanos.

Já dentro da área reservada, Klaus e Marcos repassavam as informações obtidas.
-Nesta pasta está um dossiê que preparei sobre o Neculai, Klaus. Locais onde apareceu, vítimas, dados do fã-clube… Rapaz, nunca imaginei que um vampiro teria um fã-clube!

-Já sabíamos que ele não é um vampiro comum, adquiriu a capacidade de se transformar em energia pura. Além do poder se deslocar pelo sinal dos celulares das vítimas e sua predileção por sangue carregado de desespero e terror, sua força é incomum mesmo para um vampiro. Também está claro que ele se viciou no sucesso…

-Lucas Borrel, o caçador, também preparou um laudo. Coloquei no final. Pode ser útil, creio.

Klaus avançou a leitura até o final do dossiê e deu especial atenção ao tópico “Fraquezas” no organizado laudo de Lucas, um especialista em vampiros. Ergueu as sobrancelhas e comentou:

-Engraçado… Será que ninguém pensou nisso antes?

Marcos sabia do que se tratava e retrucou:

-Lucas considera arriscado, mas viável… E você? Aqui perto tem um local adequado, a Praça Jarbas Teixeira. Lucas já deixou tudo preparado lá inclusive.

-Estou disposto a tentar… Enquanto vinha para cá ele me ligou. Acredito que vai ligar de novo. Em nome da Irmandade agradeço a colaboração sua e de Lucas, mas esse sujeito é muito perigoso e não queremos que vocês humanos se envolvam mais nisso. Daqui em diante eu cuido do caso, ok?

-Ok, Klaus. Nesse caso específico acho ótimo ficar longe desse cara mesmo… Mande lembranças minhas à Sophia, sim?

-Claro! Pode deixar…

Marcos terminou em um gole sua Coca Zero enquanto Klaus fazia sinal ao garçom para que trouxesse a conta. O drink que tomou era exclusividade da casa, feito especialmente para vampiros: Vodka com creme de cereja e gotas de sangue fresco servido na frente do cliente. Os garçons da casa eram muito bem pagos para, entre outras excentricidades, puncionarem o dedo sobre a taça ao servirem esse exótico drink…

Depois de deixar Marcos de volta à estação Vila Mariana, Klaus retornou até próximo da Praça indicada no laudo de Lucas Borrel. Lá, aguardou paciente uma nova ligação de Neculai que, como previra, não demorou muito.

-Já passou meu recado para seus companheiros, Schütze? – disse Neculai em tom cínico, querendo irritar Klaus ao chamá-lo de soldado em alemão, numa referência pejorativa ao seu passado.
Klaus preferiu ignorar a provocação, mas não conseguiu evitar um palavrão:
-Não é preciso, seu Hurensohn (FDP)! Eu mesmo posso cuidar de você. Vem me encontrar agora mesmo se você tiver coragem.

-Humm… Adoro esse toque de raiva na voz de um vampiro! Nós da raça geralmente não ficamos desesperados, o que é uma pena… Creio que seu gosto ficaria melhor temperado com um pouco de desespero, mas na falta a raiva serve…

Klaus deu partida no carro e o ronco do Porsche encheu a rua vazia na madrugada. Precisava alcançar a praça no momento exato.

-Nem fui ainda e você já arranca no seu carro? Um Porsche, né? Reconheci pelo som delicioso do motor… Quando acabar com você vou ficar com ele, se não se importa. Adoro carros possantes.

-Vem logo, idiota! E vamos resolver isso como vampiros!

Neculai surgiu no banco do carona instantes antes de Klaus alcançar, na contra mão, a curva da Rua Muribeca que dava acesso à praça. Klaus pressionou fundo o acelerador e os pneus cantaram na curva, fazendo Neculai se desequilibrar em direção à porta. Neculai soltou uma gargalhada e cravou as garras no painel do Porsche, olhando para Klaus com olhos vermelhos e um sorriso confiante, onde sobressaiam suas presas afiadas. Klaus também exibiu as presas, um gesto conhecido entre os vampiros como uma ofensa e um desafio. O carro girou mais uma vez ao comando preciso de Klaus, que com as costas da mão direita desferiu uma bofetada em Neculai. Assim que o carro parou, o vampiro da Irmandade saltou para a pequena praça deserta, o local determinado no laudo de Lucas.

Neculai, ainda tonto pela porrada dada por Klaus, se transmutou em energia e invadiu o celular do vampiro. Ele observou que Klaus utilizava um transmissor bluetooth, o que lhe possibilitaria atingir o vampiro sem estar em forma física. A pequena praça não passava de uma ilhota triangular de terra seca e vegetação. Do lado oposto onde Klaus parou o Porsche havia um pequeno caminhão baú preto estacionado. O caminhão era na verdade a armadilha preparada por Lucas…

Usando sua velocidade vampírica, Klaus voltou até o carro e pegou o celular, retornando até o caminhão e jogando lá dentro o aparelho e o transmissor bluetooth. O baú escondia uma espécie de jaula com grades feitas de prata pura.

-Quer brigar, Schütze? – a voz de Neculai foi ouvida por Klaus vinda do celular, que estava com o viva-voz acionado. Sem resposta, Neculai “saiu” do aparelho e, surpreso, se viu aprisionado no baú. Klaus o observava do lado externo, com os braços cruzados e um sorriso maroto realçado pelas presas.

-Ideia tola, Klaus! Percebi que a agenda do seu celular tem os números de muita gente importante da Irmandade. Acha que pode me manter aqui nessa gaiola? Basta eu fazer uma ligação e…

-Não tão rápido, Neculai! – interrompeu Klaus. – Essas barras são de prata e você não pode tocá-las… E pelo celular você não vai a lugar algum. Estamos numa “zona de sombra”. Aqui o celular não pega, imbecil. Você não recebe e nem FAZ ligações…

-Não!

-Como é bom ver o seu tão adorado desespero estampado nessa cara feia sua, Neculai! Seus crimes não ficarão impunes. A irmandade já tem preparado um destino bem ruim para você… Assim que a bateria do meu celular acabar, que aliás já está quase no fim, não teremos risco que você fuja de nós. – Klaus pegou uma automática no porta-luvas do Porsche e atirou no aparelho, inutilizando-o definitivamente. Ah! Estava quase esquecendo: ainda tem uma surpresinha aí que vai te fazer lembrar dos campos de concentração nazistas…
-Perdeu, vampiro! Hahaha! – disse Klaus enquanto fechava a porta traseira do caminhão, deixando na escuridão um Neculai frustrado por ter sido pego tão amadoramente. Culpa do excesso de confiança, claro.

O motorista do caminhão, um dos funcionários especiais da CROSS, a empresa de fachada da Irmandade, deu partida no motor e apertou um pequeno botão vermelho instalado no painel do veículo. Enquanto o caminhão manobrava para seguir viagem, um dispositivo semelhante a um pequeno chuveiro começou a soltar lentamente um gás especial dentro do baú. O cheiro de alho rapidamente foi notado pelo ocupante da jaula de prata… Mas a função do gás não era matar, apenas enfraquecer gravemente o vampiro. O conselho da Irmandade decidiria, no julgamento, se ele merecia pena de morte ou não.

Dentre as muitas instalações de uso da Irmandade, havia uma fábrica abandonada nos arredores de Osasco. Este era o destino do caminhão. Klaus seguia de perto no Porsche. Depois de entrarem pelos portões de ferro, o veículo entrou no galpão e Klaus estacionou do lado de fora, indo a pé até o interior da fábrica. Fazia questão de abrir ele mesmo a jaula e tirar de lá Neculai, o causador de toda aquela confusão.

Mas ao abrir a porta traseira do pequeno caminhão, os olhos de Klaus se arregalaram! Estava vazia a jaula!

-Mas como? Não tinha jeito dele escapar!

Então Klaus notou algo diferente. Dentro da jaula havia um outro celular… Ao pegar o aparelhinho, viu o símbolo em forma de envelope piscando: uma mensagem.

“Um vampiro prevenido vale por dois, meu caro… Quando sua armadilha saiu da “zona de sombra”, usei minhas últimas forças para escapar através desse celular, que havia pego de uma de minhas vítimas. Foi dele que liguei para você mais cedo, aliás. Não foi dessa vez que perdi… – Assinado: Neculai.”

FIM

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