O mistério por trás de vários sepultamentos “vampiros” na Polônia foi resolvido, ao que parece.

Esqueleto de mulher de 30 a 39 anos enterrada com foice na garganta. (Foto: Gregoricka LA, Betsinger TK, Scott AB, Polcyn M/Plos One)
Esqueleto de mulher de 30 a 39 anos enterrada com foice na garganta: “vampiros” eram, na verdade, vítimas da cólera (Foto: Gregoricka LA, Betsinger TK, Scott AB, Polcyn M/Plos One)

As pessoas que foram enterradas com foices em torno do pescoço ou pedras em suas mandíbulas, para evitar que seus cadáveres voltassem à vida, eram nativos da região em que eles foram enterrados, de acordo com um novo estudo.

Para chegar a estes resultados, a equipe da Universidade do Alabama do Sul analisou os molares de 60 indivíduos, incluindo os supostos vampiros, utilizando isótopos de estrôncio, e compararam os resultados com os mesmos isótopos de animais locais. Como cada local tem uma relação única destes isótopos, e os corpos das pessoas, naturalmente, absorvem os elementos a partir do ambiente, analisando as taxas de isótopos de estrôncio pode-se revelar a origem de uma pessoa.

O fato de que todas as pessoas enterradas como vampiros eram locais sugere que eles podem ter morrido por uma epidemia de cólera que varreu a região, disse a co-autora Lesley Gregoricka, uma bioarqueologista da Universidade do Alabama do Sul.

“A propagação de doenças como a cólera foi muito pouco divulgada no século XVII e isso fez as pessoas acreditarem que se tratava de vampiros. Dessa forma, os vizinhos dos falecidos deram uma explicação sobrenatural a uma doença que apareceu de forma desconhecida, e, por isso, achavam que os mortos podiam ter sido vítimas de vampirismo”, explica Lesley Gregoricka.

Como nenhum dos “vampiros” mostrou sinais de uma morte violenta ou trauma grave, a equipe especula que os vampiros eram talvez as primeiras pessoas abatidas em uma das epidemias de cólera que varreram a área na época. As pessoas poderiam morrer de cólera em dias ou mesmo horas, disse Gregoricka.

Agora, mais estudos serão feitos para que os pesquisadores possam aprender mais sobre os “vampiros” moradores da região de Drawsko Pomorskie, na Polônia.

Os especialistas acreditam que estes estranhos rituais fúnebres podem fornecer muita informação sobre as práticas sociais e culturais das pessoas que viviam na região e revelar quais eram as crenças vigentes na época sobre os vampiros na Europa Central.

Fontes:

Live Science e Portal G1

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